O que os fandoms podem te ensinar sobre endomarketing

Você já ouviu falar de fandoms? Fandom é a contração do termo “Fans Kingdom”, um termo usado ao se referir a uma subcultura de fãs de determinada franquia, seja de filmes, quadrinhos ou séries de TV. Um fandom é, portanto, uma comunidade que nutre a empatia e camaradagem entre seus membros, que gostam de um mesmo produto midiático, como Harry Potter, Star Trek, Star Wars, Super-heróis, mangás e assim por diante. Se você se aventurar em um dos eventos nerd que acontecem em São Paulo, como por exemplo, o Animefriends e a ComicCon Experience, poderá ver essa galera reunida, sendo que alguns deles chegam a ser atrações destes eventos, apresentando exposições temáticas e palestras. E o que essa turma tem a ver com endomarketing?

Uma franquia, seja de cinema, tv ou quadrinhos, busca atingir um público-alvo com o intuito de que seus produtos sejam consumidos, porém o que acontece com algumas delas é uma identificação de uma parcela deste público, que consome não só produtos derivados desta franquia, como cadernos, garrafas, blocos de anotações etc., mas também a filosofia da própria história contada, assim como a origem e motivações de seus personagens. Nascem coleções, blogs e fóruns temáticos, em resumo, cria-se um relacionamento com fortes laços entre fãs com a obra, e até mesmo com o autor.

Agora pense em um ambiente corporativo em que existem pequenos fandoms formados por funcionários. Eles compartilham conteúdos que o marketing da empresa publica em redes sociais, ostentam objetos que possuem o logo da empresa e, em casos em que há uma loja de conveniência dentro da empresa, consomem camisetas, bonés, blusões, chaveiros e toda sorte de objetos identificados com o logo. Isso é feito porque eles são fãs da empresa onde trabalham, é um algo mais forte do que simplesmente achar o lugar que trabalham bacana. São promotores espontâneos e contagiam não só familiares e amigos, mas os colegas de trabalho, disseminando assim a ideia de se engajar à filosofia da empresa. Porém, o que acontece é que esse fandom é mal explorado nas organizações. Não há uma vontade de se criar um relacionamento mais estreito como acontece entre franquias e fãs, é possível até mesmo que essas marcas não olhem para esse público interno como se devia.

O fandom de Harry Potter, os autoentitulados Potterheads, por exemplo, conhece cada personagem, o universo em que está inserido, motivações, acompanha o desenvolvimento do processo criativo de cada mídia criado para o mundo bruxo de J.K.Rowling. Esses fãs conhecem falas de cada livro, e como estão diferentes nos filmes, divulga cada teaser ou nota que a autora solta. Se traçarmos um paralelo com o mundo corporativo, há empresas que possuem no quadro fãs deste mesmo calibre, como a EMBRAER, por exemplo. É fácil de achar alguns funcionários que conhecem o processo de fabricação inteiro de uma aeronave, mesmo sem trabalhar na linha de produção, deslocam-se de seus postos de trabalho para ver o primeiro voo ou um voo de teste de um novo produto da empresa. Eles compram produtos com a marca da empresa na loja de conveniência da ADC, mandam fazer maquetes em resina das aeronaves para colocar na sala de casa. São mais do que aficionados por aeronaves, eles são fãs da empresa em que trabalham e tem orgulho de trabalhar ali.

A comunicação pode ser diferenciada, com um canal que permita que eles estravassem esta paixão dentro da empresa para que contagiem seus colegas, uma rede social corporativa em que essa paixão pode ser trabalhada, na forma de criação de comunidades e fóruns. Algumas áreas criam eventos para mostrar, orgulhosos, os resultados obtidos, mas será que não há espaço para mais?  Será que as empresas não podem ter um relacionamento mais estreito com os funcionários e fazer isso se espalhar? Uma comunicação mais leve e atraente no lugar de comunicados e e-mails quadrados e formais? Eventos mais lúdicos e que prendam a atenção ao invés de enfadonhos. E não precisa de nenhum show de luzes ou circo para isso acontecer, basta que a informação seja atraente e assertiva, que as reuniões sejam mais dinâmicas e objetivas (sem que sejam criadas reuniões que irão tratar de reuniões), e os powerpoints sejam mais visuais ao invés de um texto corrido, no qual se preocupa mais em fazer um leitura litúrgica do que informar as pessoas.

Para fechar, o mais importante é ter a empatia necessária para informar o que é relevante para o funcionário saber e não só o que a empresa acha interessante comunicar. Tem que haver um equilíbrio nesta balança, por isso desejo que a força esteja com você, para que eleve seu cosmos às estrelas e consiga criar essa dinâmica que permite relacionamentos duradouros entre empresas e funcionários.

Uma vida longa e próspera para vocês e até o próximo texto.

 

* Publicado originalmente no Ideia de Marketing.

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