Comunidade de prática: Como funciona?

Como descrevi no artigo anterior, uma comunidades de prática pode ajudar uma empresa a trabalhar seu capital intelectual para soluções de problema e inovação. Comentei como é importante uma comunidade de prática ter identidade, um elo entre seus membros para discutir assuntos relacionados ao domínio e, que as pessoas realmente pratiquem as atividades e processos sobre os quais os assuntos serão discutidos. Agora, vamos ver como aplicar uma comunidade de prática.

Uma comunidade de prática deve ser vista como um projeto, e como tal, deve ter uma identidade bem definida. Isso significa que temos que saber qual a expectativa da organização em relação a comunidade, qual o assunto abordado em suas discussões e qual o público-alvo a ser atingido, além do mais importante, quem será o patrocinador!

Quando se decide por montar uma comunidade de prática, é preciso pensar quem serão as pessoas referências que a farão acontecer de fato, que participarão das discussões sobre problemas e oportunidades de melhoria. Essa é uma oportunidade de aproveitar bem o poder do capital intelectual da organização. As pessoas adquirem muito conhecimento no decorrer de sua carreira, mas alguns colegas recém chegados podem ajudar muito também. Cada indivíduo possui uma história de vida, aprendeu coisas direcionadas por uma paixão ou necessidades pessoais e portanto é único.

Uma comunidade deve ter definido não só o seu escopo, mas também os resultados esperados, além de sua vida útil, ou em outras palavras, até quando deve existir. Assim, o idealizador da comunidade deve especificar o que ele quer de resultado lá na frente: apenas discutir problemas ou se tornar referência neste nicho de mercado? Se depois de alcançado o objetivo a comunidade será encerrada ou se será permanente, para se tornar uma fonte de novas ideias e maneiras para manter o resultado alcançado?

Na comunidade deve haver um modelo de governança, onde temos moderadores, multiplicadores e usuários. Eu costumo dizer que uma comunidade de prática sempre vai trabalhar dentro do princípio 90-9-1, bastante aplicado nos estudos de mídias sociais. No nosso caso, os moderadores, responsáveis pela implantação da comunidade e zeladores dos seus processos e ferramentas básicos, serão o 1% da regra, os influenciadores do grupo. As pessoas referências, os 9%, serão as pessoas engajadas, que atuam diretamente na motivação dos usuários para manter a comunidade viva. Já os usuários, que somam os 90% restantes do grupo, farão uso de todo o conhecimento registrado e compartilhado, podendo contribuir com novos conteúdos.

É claro que a formação destes três grupos de membros da comunidade podem mudar dependendo do enfoque do problema a ser discutido devido a experiência e conhecimento de cada integrante, cabe aos coordenadores estarem antenados a isso.

O grupo, já definido e direcionado em seus papéis dentro da comunidade, definirá a forma de trabalhar, se será em fóruns presenciais ou online, se acontecerão workshops e como validarão as decisões tomadas a partir destas atividades. A comunidade deve garantir a equalização de seus usuários, ou seja, deixar todos na mesma página de conhecimento. Isso acontece incentivando a participação efetiva nas atividades e obtendo periodicamente o feedback da percepção em relação ao que se está realizando. Deve ser criado uma cultura de comprometimento com a comunidade.

E você? Se interessou em montar uma comunidade de prática? Participa de alguma? Se a resposta for afirmativa para qualquer uma das duas perguntas não se esqueça, para uma comunidade funcionar deve haver interação! Não deve haver cobrança, apenas direcionamento para manter sempre o foco para atingir os resultados.

 

* Publicado originalmente no Ideia de Marketing.

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